A Agência Internacional de Energia (AIE) deve recomendar a liberação de 400 milhões de barris de petróleo, a maior de sua história, para tentar conter a disparada dos preços do petróleo em meio à guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Uma fonte disse que a liberação seria distribuída ao longo de pelo menos dois meses, enquanto a Espanha afirmou que os países teriam até 90 dias para liberar esse volume nos mercados.
A recomendação da AIE será discutida em uma reunião dos líderes do G7, marcada para as 11h (horário de Brasília), que será presidida pela França, segundo três fontes com conhecimento das discussões
A ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche, confirmou o número de 400 milhões de barris e disse que seu país participaria da liberação, cujos detalhes ainda seriam esclarecidos. Os Estados Unidos e o Japão seriam os maiores contribuintes para a liberação da AIE, acrescentou.
Analistas disseram que o ritmo diário de liberação dos estoques da AIE seria tão importante quanto — ou até mais do que — o volume total. Se 100 milhões de barris forem liberados ao longo do próximo mês, o ritmo diário será de cerca de 3,3 milhões de barris por dia — uma fração da atual interrupção de cerca de 20 milhões de barris por dia, com o Estreito de Ormuz entre Irã e Omã efetivamente bloqueado.
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quarta-feira, enquanto os mercados duvidavam que o plano da AIE pudesse compensar possíveis choques de oferta decorrentes do conflito.
Mais três embarcações foram atingidas por projéteis de origem desconhecida no Estreito de Ormuz, disseram nesta quarta-feira empresas de segurança e risco marítimo, elevando para pelo menos 14 o número de navios atingidos na região desde o início do conflito e ressaltando o quão perigoso o tráfego se tornou.
Agindo antes da medida da AIE, o Japão, membro do G7, anunciou planos para liberar reservas de petróleo equivalentes a 15 dias do setor privado e a um mês das reservas estatais.
“Em vez de esperar pela aprovação formal da AIE para uma liberação coordenada internacional de reservas, o Japão agirá primeiro para aliviar a oferta e a demanda no mercado global de energia, liberando reservas já a partir do dia 16 deste mês”, disse a primeira-ministra do país, Sanae Takaichi.
Em 2022, os países membros da AIE liberaram 182,7 milhões de barris em duas etapas, o que na época foi a maior liberação da história da AIE, quando a Rússia lançou sua invasão em larga escala da Ucrânia.
Eu diria que é a maior proposta na história da Agência Internacional de Energia”, disse Sara Aagesen, ministra de Energia da Espanha.
As economias ocidentais coordenam seus estoques estratégicos de petróleo por meio da AIE, que foi criada após a crise do petróleo dos anos 1970.
O presidente francês, Emmanuel Macron, deve presidir a reunião dos líderes do G7 ainda nesta quarta-feira, após o bloco afirmar que seus ministros de Energia apoiaram o uso de reservas.
“Em princípio, apoiamos a implementação de medidas proativas para lidar com a situação, incluindo o uso de reservas estratégicas”, disseram os ministros de Energia do G7.
Uma fonte do G7 disse à Reuters que, embora nenhum país enfrente atualmente uma escassez de petróleo bruto, os preços estão subindo rapidamente e deixar a situação sem resposta não é uma opção.
No entanto, qualquer liberação efetiva não pode começar imediatamente porque decisões sobre aspectos como a distribuição entre países e o cronograma exigem mais discussões, disse a fonte.
“Espera-se que o secretariado da AIE proponha cenários com base no impacto esperado no mercado, e a coordenação pode se estender a países não membros da AIE, como China e Índia”, disse a fonte.
A Coreia do Sul, membro da AIE, está participando da discussão “e revisando sua posição”, disse nesta quarta-feira um porta-voz do ministério da Indústria do país.